O encontro seria no escritório de Edir, na recém-adquirida TV Record, agora de propriedade da Igreja Universal, dirigida por Macedo. Esperei 15 minutos e fui recebido numa ampla sala, com tapetes cheirando a novo e os móveis ainda com o odor do plástico que os embrulhara até bem pouco. A mobília era cara, e embora o lugar não fosse de extremo bom gosto, também não era brega. Para um gabinete de bispo, contudo, o ambiente era excelente e longe dos padrões escuros da religiosidade. Uma senhora de uns sessenta anos estava passando pano nos móveis.
Quando o bispo entrou, ela olhou para ele como se São Pedro tivesse irrompido porta adentro.
— Posso continuar a limpar os móveis, bispo? — ela indagou reverente.
Ele deu com a mão, dizendo que ela podia sair. Em seguida, entretanto, falou com voz de anjo.
— Vai, minha filha! Pode ir, minha filha!
E a velhinha foi, como se instruída por um profeta da Bíblia.
— Você deve estar pensando o que eu estou fazendo aqui, não é? — perguntei. — É que eu
tenho ouvido falar de você pela mídia e vim conferir.
— Pela mídia? Então você só deve ter ouvido coisas ruins. Pra mídia eu sou ladrão! — interrompeu ele.
— O que me impressiona não é o que a mídia diz, mas o que você faz para só aparecer negativamente — afirmei. — Mas eu não quero pensar que sei quem você é pelo que a mídia diz.
Eu quero conhecer você — disse. — Dá pra você me dizer como você chegou a se converter e se tornar evangélico?
— Eu não sei se eu quero ser visto como evangélico. Eu prefiro ser visto como outra coisa. Fiquei muitos anos com os evangélicos e só perdi tempo — ele iniciou num tom rabugento, amargurado, quase agressivo. — Os evangélicos são todos como aquele tal de Fanini. Que cara ignorante! Foi dizer que preferia a Umbanda a mim. Com gente como ele eu não quero nada — confessou ressentidíssimo.
— Francamente, eu entendo o seu ressentimento. Mas me fale de sua conversão? — insisti.
— Eu vim da bruxaria e me converti na Igreja de Nova Vida. Fiquei muito tempo lá. Depois, a Nova Vida perdeu a visão. Virou quase uma Igreja Católica, fria, sem briga, sem vontade de crescer. Então procurei os líderes de lá e falei que estava saindo. “Vocês ainda vão ouvir falar de mim”, foi o que eu disse pra eles. Aí comecei o meu trabalho e cresci. Não sou uma igreja. Sou uma cruzada, um movimento de guerra contra o diabo. Mas não me dou bem com os evangélicos. Só me perseguem. Não me entendem — desabafou.
Depois dele, foi minha vez. Contei como me tornara um cristão e quais eram os meus compromissos de vida.
— Mas por que você faz coisas tão estranhas? E por que tanto misticismo e tanta ênfase em coisas controvertidas? — perguntei a Macedo.
— Olha, cada um pesca com o que tem e como sabe. Você pesca com camarão. Fala bem, é preparado e ganha gente preparada. Outro pesca com pão. Outro com minhoca. E tem peixe que só gosta de minhoca. E tem outros que pescam como eu, com fezes. Tem gente que só gosta do que eu ofereço. O povo que eu quero não vai te ouvir. É gente que ninguém quer. Eu quero. É o pessoal que eu consigo pescar do meu jeito, com as coisas que eu ofereço — ele falou quase como se estivesse filosofando sobre algo absolutamente novo.
— Mas você não acha que dizendo que cada um dá o que tem e o que as pessoas querem, você está dizendo que o evangelho não tem conteúdo? E que a gente pode adulterar a mensagem como quiser pra atender aos gostos deste mundo? É isso que você tá dizendo? — indaguei sem querer ser rude, mas achando crucial a resposta dele. Afinal, era a primeira vez que eu ouvia um líder religioso ocidental confessar com sinceridade e honestidade que os fins justificavam os meios. Muitos agiam segundo a mesma filosofia, mas maquiavam muito bem suas ações.
Macedo, entretanto, era honesto em suas convicções e não tentava me iludir a respeito.
— Eu não tenho paciência pra filosofia. Aqui a gente não tá querendo pensar muito nessas coisas. A Nova Vida parou porque ficou com essas perguntas todas. O negócio é ganhar gente. Também não gosto desse negócio de Escola Bíblica Dominical e nem de seminário. Teologia tira a garra do obreiro. Eu não tenho essas coisas na Universal — declarou e já foi logo pegando o telefone e dizendo que “o pessoal” poderia entrar. — Eu queria que vocês conhecessem o Caio Fábio — disse para Renato Suhett, Didini e Gonçalves, que acabavam de entrar. Conversamos generalidades por mais uns trinta minutos.
— Olha, no dia 17 de maio nós vamos estar criando uma associação de igrejas evangélicas.
Por que vocês não mandam um observador pra ver como é? — disse.
— Eu já pensei em fazer uma coisa dessas pra mim. Depois desisti. Com evangélico não dá, é tudo muito difícil. Só quero é que me deixem em paz — ele falou já me estendendo a mão para a despedida.
Caio Fábio e Edir Macedo
Outubro 18, 2008 por Wellington Fugisse
Extraído do livro Confissões de um Pastor, Caio Fábio, pág. 201 e 202
ÊSSE SUJEITO QUE ESCREVEU ISSO TUDO DO BISPO MACEDO, O QUE NÃO SEI SE A CONVERSA TRANSCORREU ASSIM OU É TUDO INVENÇÃO, MENTIRA, não é aquele marido covarde que traíu a esposa com sua própria secretária? Também não foi ele que teria dado um desfalque aos cofres da denominação a que pertencia e dizia servir, em CINCO MILHÕES de dólares? MERECE ALGUM CRÉDITO? Façam-me o favor!
[...] me resta achar que Edir continua achando que seus seguidores gostam de fezes e por isso usa fezes para os pescar . AKPC_IDS += "318,";Popularity: 8% [?] abril 29th, 2009 | Tags: Caio Fábio, denúncia, Edir [...]