Em Adão morreram todos os homens.
Adão: representante de toda a sua raça. A personificação da humanidade, herdeiro de promessas que se estenderiam por toda sua descendência.
Nós não herdamos o pecado de Adão, mas herdamos as consequências que o pecado causou a ele e ao mundo – penalidades estas que são fatos palpáveis -.
Necessitamos ganhar o pão com suor. As dores do parto são herança a todas as filhas de Eva, os homens estão sujeitos a enfermidade e morte, e todos nascem em pecado e carentes da imagem de Deus.
Eu não sou uma exceção e nasci debaixo das conseqüências da queda.
Minha mãe era uma jovem sonhadora e romântica, de jeito impulsivo e cheia de idéias utópicas sobre mudar o mundo através da política. Aos catorze anos fugiu de casa para morar em Cuba, onde enamorou-se de um Comandante e iniciou um namoro que durou sete anos. Neste tempo minha mãe descobriu que
era estéril, que jamais iria ter em seus braços um filho que houvesse saído de seu ventre, e por este motivo, do mesmo modo que havia fugido de seu país natal, fugiu naquele momento de Cuba para retornar ao Brasil. Fugiu de Cuba, fugiu do seu amado Comandante, fugiu da vida.
Maria Luzia jamais foi a mesma garota sonhadora e romântica. Se tornou uma mulher pesarosa, que resumia seus dias em debater assuntos da política e esquecer os assuntos da sua vida pessoal, até o dia em que conheceu Jack Hunter.
Jack era um homem branquelo, de sorriso estonteante. Dono de um carisma impressionante, aquele caloroso missionário pregara a ela um Jesus que já havia curado multidões inteiras por onde ele passara. Maria assustou-se com o brilho intenso dos olhos daquele homem, e o ouviu atenta.
Maria, curiosa, visitou uma dessas reuniões que Jack conduzia, e após aquela noite, sentiu renascer em si mesma a força e alegria que havia perdido em Cuba.
No ano de 1965, Jack Hunter e Maria Luzia casaram-se, e no ano seguinte eu nasci, como fruto de um milagre do Deus que os dois agora serviam juntos.
Meus pais viveram anos felizes no litoral norte do Brasil, apesar das constantes perseguições religiosas. A notícia de que minha mãe havia dado a luz a um “pequenino milagre” era um estopim para a conversão de muitos – os quais sabiam que minha mãe não poderia ter filhos – e Jack agradecia a Deus todos os dias pelo que dizia ser o maior presente de Deus para ele, Maria Luzia Hunter, sua linda esposa.
Em 1973, meus pais mudaram-se para os Estados Unidos da América – país natal de meu pai – para que a família dele conhecesse minha mãe e o novo membro da família Hunter. Enquanto isso, meus pais aproveitaram para se prepararem, fazendo alguns cursos sobre missões transculturais.
Tudo parecia perfeito para todos, e ninguém pensou que seria diferente para mim, pois nasci e fui criado em um lar cristão e alegre, mas ainda assim, o erro adâmico em meu sangue falou mais forte, e assim como Adão, eu caí.
Crônicas de um Cristão Moderno – Parte 1
Outubro 25, 2008 por Wellington Fugisse