“Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes?… Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” Isaias 58:3-7
“Pela Graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus… não vem de obras, para que ninguém se glorie…”
A carta de Tiago nos chama a prática da fé, afirmando que a fé inoperante é morta em si mesma.
Hebreus nos chama a realizar “coisas melhores e que acompanham a salvação”.
Paulo declara que a fé opera pelo amor.
A primeira compreensão deve nos levar a humildade. A compreensão de que não somos salvos por obras, nos leva a não realizarmos as boas obras com segundas intenções ou com sentimento jactancioso (orgulho, justiça própria), o que é largamente condenado por Paulo: “Onde está logo a jactância? Foi excluída. Por que lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.”, “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?”, “Mas agora vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna”. Não fazemos boas obras para sermos salvos, mas tão somente estendemos ao próximo a Graça e benignidade que já temos recebido de Deus.
A vida do discípulo é uma afirmação e convicção poderosa acerca da veracidade dos ensinos de seu mestre. Um discípulo se propõe a adotar e dedicar a vida aos ensinos do mestre escolhido, afirmando com a própria vida que acredita ser essa a melhor escolha de vida.
Discipulo pertence a mesma raiz grega da palavra Disciplina.
Somos discípulos de Jesus.
A fé e as disciplinas cristãs operam pelo amor. Todas elas devem carregar como motivo e causa o amor.
Disciplina é discipulado… o processo de continuar crescendo e aprendendo a caminhar no Caminho. O processo de ser cada dia mais imerso no significado da Vida e discernir a Verdade.
Disciplinas espirituais não podem ser utilizadas para manipular a Deus: ”Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo…”. As motivações e desejos deste jejum descrito em Isaías desagradavam profundamente a Quem supostamente se dirigia este jejum. Jejuar deste modo, tem aparência de piedade, mas nega a eficácia dela. Jejuar deste modo é fazer devoção ao Diabo dirigindo-se a Deus, pois o espírito deste jejum é completamente antitético aos princípios do Evangelho.
Em geral, declaramos como sendo as principais disciplinas bíblicas a: Leitura e assimilação das Escrituras, o Jejum, a Oração e o exercício do Ministério. Não sendo somente estas, mas cada uma com vital importância, devemos carregar a consciência de que elas sempre devem ser exercidas e motivadas no e em amor.
O Jejum que Deus escolheu é o deslaçamento de toda forma de prisão e jugo ao próximo, e a devoção em cuidado prático ao próximo. Fazer jejum no sentido literal, sem que antes façamos o jejum que Deus escolheu, será sempre hipocrisia diante de Deus.
Tendo isso em mente…
As orientações quanto ao jejum literal são primeiramente a de que não o utilizemos como performance farisaica. O próprio Jesus afirmou: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam sua recompensa. Tu, porém, quando jejuardes, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai que está em secreto; e o teu Pai que te vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6.16-18).
Sendo assim, o jejum é visto como uma devoção alegre e cheia de amor. Uma celebração de amizade, confiança, fé e ligação com Deus. Se pudéssemos fazer separação entre o que as pessoas fazem como devoção quando estão em público, e o que fazem quando ninguém as vê, levaríamos grande susto. Precisamos de fato acreditar para nós, não para os outros. Precisamos realmente viver para Deus, não viver de performance, pois com toda certeza a aparência de piedade é altamente cotada por todos. Por isso sempre que se fala nas Escrituras acerca dos indivíduos que dedicam sua vida ao cinismo, fala-se que nenhum deles demonstra este cinismo, mas fazem marketing pessoal com aparência de bondade: “Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz.”
Em um tempo tão enlouquecidamente apressado e distrativo, acabamos por perder o foco. O jejum é de extrema utilidade para nos sensibilizar a alma e nos retirar dessa atmosfera de ilusões e suspensões da realidade. Todos os dias somos bombardeados por emulações de desejos que nos tornam sempre insatisfeitos e infelizes, pois nos levam a crer que “a felicidade está no fim do arco-íris”. Somos a geração de gnomos harrypotianos. O jejum nos lembra da espiritualidade genuína, aquela que nos enche de alegria e esperança por podermos olhar tudo a nossa volta e dizermos: O meu Redentor vive, e por fim triunfará sobre toda essa palhaçada que está acontecendo, e estabelecerá o seu Reino de justiça para sempre…
Existe ainda a declaração de Jesus de que havendo uma “teimosia” da parte de algum demônio que haja possuído o corpo de alguém, devemos orar e jejuar para que este demônio saia.Não existe uma lógica sistêmica para explicar tal passagem, visto que no nome e no poder de Jesus se encontra o poder para expulsar demônios, não no jejum em si. O jejum não pode ser visto como arma, mas como um modo de nos tornar mais voltados as realidades e princípios do Reino, fazendo de nós assim um instrumento mais livre a vontade de Deus.
Ao expulsar um demônio teimoso, podemos acabar por olhar para a nossa incapacidade e falta de fé. O jejum então nos torna para o Amor e Graça de Deus, nos dando confiança de que “isto não vêm de vós…”.
W.F.

Parabens pelo texto, gostei muito !